Relatos Horripilantes do Mundo dos Vigilantes Noturnos

Histórias de terror contadas por vigilantes noturnos

 Prepare-se para mergulhar em uma compilação assustadora de relatos que vão arrepiar sua espinha. Dos becos sombrios às ruas desertas, esses guardiões noturnos compartilham histórias de terror que vão fazer você pensar duas vezes antes de caminhar sozinho à noite.

O Lamento das Crianças Esquecidas


 Meu nome é Evandro, tenho 55 anos e sempre fui o tipo de sujeito que gosta de manter a ordem. Trabalho como vigilante numa cidadezinha esquecida no interior. O nome? Não importa, porque até ontem, era só mais um punhado de casas e umas ruas vazias.

 Eu nunca fui dado a acreditar em coisas sobrenaturais, sabe? Sempre fui mais pé no chão, daqueles que acreditam no que pode ser visto e tocado. Mas a última noite, Deus do céu, eu nem sei por onde começar. Só sei que preciso contar isso a alguém, e, bem, você está aí, então vai ter que aguentar essa história.

 Era uma noite daquelas, escura, sem lua, como se o próprio céu tivesse desistido daquela cidade. Eu, como de costume, estava fazendo a ronda noturna no hospital abandonado. A prefeitura não tinha mais grana pra manter o lugar, então ele virou um amontoado de tijolos quebrados, corredores vazios e quartos empoeirados.

 Sabe, eu sempre fui tranquilo, acostumado com os barulhos da noite. Grilos, vento nas árvores, às vezes um cachorro distante. Mas essa noite, ah, essa noite foi diferente. Começou com risadas, risadas de crianças. Eu juro por Deus, aquilo me gelou o sangue.

 Eu, com minha lanterna tremendo nas mãos calejadas, percorri os corredores. Cada risada parecia ecoar em algum lugar diferente, uma espécie de sinfonia doentia. Eu tentava me convencer de que era só a minha imaginação, que o silêncio da cidade me fazia ouvir coisas que não estavam lá.

 Mas então, no fundo do corredor, eu vi uma luz fraca. Uma luz que piscava em sincronia com as risadas. Eu fui até lá, meu coração batendo mais forte que martelo em ferro quente. E quando cheguei, vi.

 Era um quarto, iluminado por velas. Eu não sabia que havia energia elétrica no hospital, mas naquele quarto havia luz. E no meio dele, um grupo de crianças. Elas riam, pulavam, como se estivessem numa brincadeira que eu não entendia. O que mais me assustou foi que elas estavam de costas pra mim.

 Eu pigarreei, tentando chamar a atenção delas. Nenhuma virou. A risada continuava, mais alta agora, quase ensurdecedora. Me aproximei, tentando respirar fundo, e toquei o ombro de uma das crianças.

 Foi como tocar fogo. Ela se virou, e seus olhos... meus Deus, eram vazios, negros como a noite sem lua. Eu recuei, me cagando de medo, enquanto ela e as outras continuavam a rir. Um riso que começou a se misturar com um som estranho, algo como murmúrios distantes.

 Foi aí que minha lanterna morreu. Eu estava no escuro, só ouvindo as risadas, os murmúrios, tudo ao mesmo tempo. Me virei e corri. Eu não me lembro de ter sentido tanto medo na minha vida, um medo que agarrou minha alma e me fez correr até a saída do hospital.

 Quando cheguei lá fora, a cidade estava em silêncio de novo. Não havia risadas, não havia crianças. Mas eu senti algo, uma presença. E mesmo agora, enquanto conto essa história, não sei se foi real ou se foi coisa da minha cabeça.

 Só sei que não volto mais lá. Aquele hospital é um lugar amaldiçoado, e eu não quero descobrir o que diabos aconteceu naquela noite. Se foi coisa dos mortos, dos vivos, ou do inferno em si, eu não sei. E sinceramente, eu não quero saber. Só quero esquecer e continuar com a minha vida, mesmo que essa noite assombrada continue a ecoar nos meus pesadelos.

Ritual Sombrio na Floresta


 Meu nome é Carlos. Nunca fui bom com palavras, então perdoe-me se este relato sair meio embaralhado. Mas precisava contar o que aconteceu, porque estou com medo, e não sei mais a quem recorrer.

 Eu trabalho como vigilante noturno há uns bons anos. Não tenho muita educação, só o básico mesmo, mas sempre fui decente para garantir meu ganha-pão. Ontem à noite, enquanto fazia minha ronda naquele parque isolado, algo que nem nos meus piores pesadelos eu poderia imaginar aconteceu.

 A lua estava lá no alto, iluminando o lugar de uma forma que me fazia sentir como se estivesse sendo observado. A floresta ao redor parecia viva, mas não com a vida que a gente costuma ver durante o dia. Era como se ela tivesse algo a esconder.

 Parei em um ponto estratégico, um lugar de onde poderia observar melhor o perímetro. Foi aí que vi algo que fez meu estômago revirar. Um bando de pessoas, umas quinze talvez, vestidas com capas pretas e máscaras estranhas. No meio delas, um círculo com velas, desenhos bizarros no chão. Eu, imbecil que sou, pensei que era só uma brincadeira idiota de adolescentes. Mas a atmosfera, a atmosfera não era de diversão, era de algo mais sinistro.

 Antes que pudesse me tocar do que estava acontecendo, um arrepio gelado percorreu minha espinha quando eles começaram a sussurrar palavras que eu mal conseguia entender. A única coisa que ficou clara foi que não era algo normal.

 Não tive tempo para processar a cena quando alguém me notou. Não sei se foi o farol da lanterna que usei sem pensar ou se foi o destino me pregando uma peça, mas eu estava encurralado. Eles me olharam como se eu fosse uma presa.

 Agora, imagina a cena: um sujeito como eu, desarmado, encarando essa turma do capeta. Decidi correr, mas a perseguição foi insana. Entre as árvores, os sons estranhos e aquelas vozes que martelavam na minha cabeça, eu me senti num filme de terror da vida real.

 Consegui despistá-los por um tempo, mas percebi que estavam ganhando terreno. Não sei quanto tempo se passou, mas quando finalmente escapei da floresta, meu corpo estava em pedaços, a respiração ofegante e o coração pulsando como um tambor enlouquecido.

 Cheguei em casa, tranquei todas as portas e janelas, mas ainda não me sinto seguro. Eles sabem quem eu sou, sabem que vi o que não deveria. Estou escrevendo isso porque se algo acontecer comigo, alguém precisa saber. Eu não entendo essas coisas, mas sinto que desencadeei algo que vai muito além do meu entendimento.

 Não posso mais olhar para a lua sem sentir aquele arrepio. Só espero que, ao compartilhar isso, alguém possa me ajudar a entender o que diabos aconteceu naquela floresta e o que essas pessoas queriam. Se alguém estiver lendo isso, por favor, cuide de você. Eu não sei o que está lá fora, mas não é algo que possamos enfrentar sozinhos.

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